Jovens aparentam estar alheias à gravidade da situação (Joá Souza | Ag. A Tarde)
A
polícia investiga indícios de que Débora Ruth Carvalho de Medeiros, de
19 anos, e Sende Gabrielle Gomes, 21, têm ligação com Fagner Sousa da
Silva, o Fal, 32, apontado pelas autoridades como um dos chefes da
facção criminosa Comissão de Paz (CP). As garotas de classe média foram
flagradas com um carro roubado na última terça-feira, 9. Segundo
o delegado Marcos César da Silva, titular da Delegacia de Repressão a
Furtos e Roubos de Veículos (DRFRV), continuam sendo investigadas as
informações anônimas de que Débora e Sende são mulas (transportadoras de
drogas).
Considerado na época o criminoso mais procurado
pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia, Fal atualmente está
preso na Unidade Especial Disciplinar, no Complexo Penitenciário do
Estado, em Mata Escura. Ele
foi capturado em São Paulo em junho de 2011, durante a Operação
Gênesis, que desarticulou as relações entre a CP e o Primeiro Comando da
Capital (PCC), facção criminosa paulista. O
delegado Marcos César busca mais evidências do envolvimento das duas
jovens com Fal. A amizade de ambas com Monique de Santana Marques, presa
na mesma operação de 2011, reforça tais suspeitas. Fontes ligadas à
Operação Gênesis confirmaram que o papel de Monique era o de
transportar cocaína de São Paulo para Salvador.
Garotas confirmam - "Elas
revelaram ter tomado conta do filho de Monique na época em que ela
esteve presa. Inclusive, o garoto é afilhado de Débora", relatou o
delegado. As detidas confirmaram a proximidade com Monique. "Eu sou
madrinha do filho dela. A gente cuidou do menino quando ela foi presa",
afirmou Débora.
Na quinta, 11, as garotas foram ouvidas pela
delegada Emília Blanco, diretora do Departamento de Crimes Contra o
Patrimônio. "Trata-se de uma investigação complexa, principalmente pelo
número de denúncias (cerca de 100) que têm chegado. O que chama a
atenção é que elas vêm de pontos diversos, mas com elementos em comum",
assinalou Emília.
Conforme o delegado, as denúncias atribuem à
dupla envolvimento com o tráfico de drogas e roubos de veículos. "Há
também relatos de que elas atraíam homens para programas sexuais com o
intuito de roubá-los", acrescentou César da Silva.
Entretanto,
os policiais têm encontrado dificuldades para formalizar as acusações,
uma vez que ninguém apareceu para fazer o reconhecimento das suspeitas.
"Nenhuma vítima vai aparecer porque não existem vítimas", desafiou
Débora Ruth Carvalho.
"O que vai ficar demonstrado é a
infantilidade de duas jovens que fazem coisas sem pensar nas
consequências. Por isso, estão vivendo tudo isso", disse Adnaldo
Teixeira de Medeiros, pai de Débora, confirmando que ela usa maconha.
"Débora
e Sende não são nada do que tentaram mostrar. Independentemente dos
crimes, eles têm que ser provados dentro de um processo", disse
Medeiros. ATarde